Lire en ligne : Como Deixei de Ser Judeu - UCG EBOOKS, #32
2025年 10月 07日
Como Deixei de Ser Judeu - UCG EBOOKS, #32 pan Shlomo Sand
Caractéristiques
- Como Deixei de Ser Judeu - UCG EBOOKS, #32
- Shlomo Sand
- Format: Pdf, ePub, MOBI, FB2
- ISBN: 9789895373284
- Editeur: KKYM + P.OR.K
- Date de parution: 2023
Livre électronique téléchargeable gratuitement Como Deixei de Ser Judeu - UCG EBOOKS, #32
Overview
« Suportando a custo que as leis israelenses me imponham a pertença a uma etnia fictícia, acatando ainda com maior dificuldade pertencer, perante o resto do mundo, como membro de um clube de eleitos, desejo demitir-me e deixar de me considerar como judeu. Embora o Estado de Israel não esteja disposto a alterar a minha classificação de "judeu" para "israelense", atrevo-me a esperar que gentios filojudeus, sionistas empenhados e judeófobos exaltados, sustentados, amiúde, por concepções essencialistas, respeitarão a minha vontade e deixarão de me catalogar como judeu.
Ao insistir no facto de que só o meu passado histórico foi judeu, que o meu presente quotidiano é israelense, para o melhor e para o pior, e que, por fim, o meu futuro ou o dos meus filhos, tal como em todo o caso assim desejo, será guiado por princípios universais, abertos e generosos [...]. Tenho consciência de viver numa das sociedades mais racistas do mundo ocidental. O racismo é decerto omnipresente, mas em Israel depara-se com ele no espírito das leis, ensina-se nas escolas, é difundido nos meios de comunicação.
Sobretudo, e isto é o mais terrível, os racistas não sabem que o são e, assim, não se sentem de forma alguma obrigados a desculpar-se. Por conseguinte, Israel tornou-se uma referência particularmente apreciada por uma maioria de movimentos de extrema-direita no mundo, outrora notoriamente antissemitas. Viver em semelhante sociedade tornou-se-me insuportável, mas, confesso, não me é menos difícil habitar noutros lugares.
Faço parte do produto cultural, linguístico e até mental do projeto sionista e não posso de tal desfazer-me. Pela minha vida quotidiana e pela minha cultura de base, sou um israelense. Não sinto orgulho nisto, como também não sinto em ser um homem de olhos castanhos e de porte médio. Tenho até, muitas vezes, vergonha de Israel, sobretudo quando contemplo a cruel colonização militar de que são vítimas os fracos, sem defesa, que não fazem parte do "povo eleito" ».

